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Não te amo

E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.


Amar! mas duns amores que têm vida...
Não serão vagos, trémulos harpejos,
Não serão só delírios e desejos
Duma douda cabeça escandecida...

Hão-de-se ver! e, como a luz fundida,
Penetrar o meu ser - não serão beijos
Dados no ar - delírios e desejos -
Mas amor... duns amores que têm vida.

Com eles hei-de andar no mundo: o dia
Não pode vir fundi-los nos meus braços
Como névoas ideiais da fantasia.

Nem os dissipa o sol co'a luz erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?!